quarta-feira, 30 de abril de 2008

A solidão bateu
Sozinha

Por um instante senti um vazio
Oco por dentro
Um eco no ar
Um espaço vazio querendo ser preenchido
Precisando ser preenchido
Ter tantas pessoas e ao mesmo tempo não ter ninguém
Ter alguém
Ao seu lado
Como sempre esteve
Tapar os buracos não adianta
Preencher com distrações muito menos
Preencher o vazio com mais vazio
Preencher com o que então?
Me alimento de coisas que me distraem
Que me ocupam e o tempo passa
Tenho a companhia de pessoas
Que me preenchem e me alegram
Mas por alguns momentos só
Momentos intensos
Mas que depois o vento se encarrega de levar consigo
E eu fico à deriva

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Teatro do desagradável

Quando a peça Senhora dos Afogados estreou no Rio de Janeiro em 1954, sob direção de Bibi Ferreira, ao final da apresentação a platéia efusivamente e em coro atacou Nelson Rodrigues chamando-o de “tarado”. O dedo na cara de Nelson torna ainda mais necessária a sua provocação: “Mas o teatro não é um lugar de recreio irresponsável. Não. É antes, um pátio de expiação. Talvez fosse mais lógico que víssemos as peças, não sentados, mas atônitos e de joelhos. Pois o que ocorre no palco é o julgamento do nosso mundo, o nosso próprio julgamento, o julgamento do que pecamos e poderíamos ter pecado. Diante da verdadeira tragédia, o espectador crispa-se na cadeira, como um pobre, um miserando condenado.”


O teatro do desagradável como o próprio Nelson se intitulava fundador.
Teatro é isso, tem que provocar, tem que incomodar.
Qual é a graça do teatro passivo? Aquele o qual a platéia senta, se acomoda e passa ali o tempo todo do espetáculo como um mero espectador que dá risada e chora, pra no final achar tudo muito legal, bonito e vamos embora pra casa!
Teatro bom é aquele que mexe com o espectador, que instiga, que o deixa desconfortável na poltrona, que o faz querer debater sobre quando chegar em casa.
Teatro bom é aquele que faz a gente pensar, refletir, se injuriar, é aquele que deixa a gente passando mal, suando frio, aquele que acelera nossos sentidos e nos deixa sem graça, nu.
Essa é a beleza do verdadeiro teatro, aquele que é feito com amor, com raça, com vontade. Aquele que é feito por aquele ator que está ali por prazer, por querer dizer algo, feita por um ator real, que fede e cheira como você. E não feito por atores de plástico, atores limpinhos que brilham, que estufam o peito e se mostram cagando pra platéia porque o seu $$ já tá garantido.

É vergonhoso em um país como o Brasil, com tanta gente talentosa, sejam atores, músicos, dançarinos, artistas plásticos, não conseguirem se sustentar fazendo o que gostam, com a própria arte.
É triste saber que a verba destinada à cultura desse país não tem uma justa aplicação e investimento.
É revoltante saber que o dinheiro é usado para trazer os “grandes, belos e maravilhosos” enlatados como A Bela e a Fera, O Fantasma da Ópera, Cats, Les Misérables e muitos outros que todos nós já conhecemos. Ou se não são os enlatados, são as peças com artistas globais, aaaaah essas sim são boas né gente? Modelos, corpos lindos e sarados, enchendo o ** de grana e ocupando o espaço dos atores de verdade.

Conhece a lei Rouanet? Não? Então leia:
http://www.sinprorp.org.br/Codigo_de_etica/007.htm

E aí o que me diz agora?
Consegue pelo menos compartilhar com um pouquinho da minha indignação?

Por que eu faço teatro?
Por amor, paixão, prazer, por poder experimentar um turbilhão de emoções, por poder extravasar, liberar, por vontade de querer crescer, conhecer, aprender, compartilhar, entender o ser humano tendo a maravilhosa oportunidade de poder viver outras vidas, porque eu quero me expressar e como cidadã quero fazer a minha parte perante a sociedade, fazer algo com que eu possa contribuir, contribuir com a minha arte.

Muitas pessoas já me perguntaram quanto eu ganho $$ pra fazer as peças.
Eu sempre dou risada e respondo: O que eu ganho? Eu ganho coisas que o dinheiro não compra, ganho coisas mais valiosas que qualquer jóia, ganho coisas que eu vou levar na minha bagagem pra toda vida, ganho o sorriso e os aplausos da platéia. Quer coisa melhor que isso?

Tem gente que não entende, acha loucura, mas tudo bem eu compreendo, só sabe da magia do teatro aqueles que um dia já experimentaram.
E aqueles que já foram picados pelo bichinho, hummm esses já não tem mais volta! Hehe =]

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Um pouco de Nelson Rodrigues...

"Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de "ilustre", de "insigne", de "formidável", qualquer borra-botas."


"O brasileiro não está preparado para ser "o maior do mundo" em coisa nenhuma. Ser "o maior do mundo" em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade."


"Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível."


"O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas."


"Há na aeromoça a nostalgia de quem vai morrer cedo. Reparem como vê as coisas com a doçura de um último olhar."
A melhor! haha


Vestido de Noiva:
"Sua relação com madame Clessi mostra, por exemplo, uma Alaíde que se entediou com o casamento porque desejava uma vida cheia de homens e aventuras, de fantasias e grandezas. Exatamente como a de Madame Clessi, mundana que ela conheceu através de um diário deixado pela "madame" no porão da casa onde morava e que depois foi de Alaíde.
Alguns desejos reprimidos de Alaíde vêm à tona no plano da alucinação. É nesta dimensão que ela mata o marido Pedro, por exemplo. Os planos mostram, portanto, atitudes diferentes e muitas vezes contraditórias."




Pesquisas e + pesquisas...
Pensamentos e + pensamentos...
Sentimentos, repulsas, dúvidas, indagações...

Oh céusssss!!!!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sinais

Sentiu tremer aí??
Eu não senti tremer aqui não, mas o meu corpo todo tá tremilicando... medO

E para os mais desavisados, hoje é comemorado o Dia da Terra.
Mera coincidência haver um terremoto bem nesse dia? Hummmm acho q não hein?



Quando a última árvore tiver caído,
Quando o último rio tiver secado,
Quando o último peixe for pescado,
Vocês vão entender que dinheiro não se come!
Greenpeace



Tá esperando o que pra mexer essa bunda gorda e fazer a sua parte?
Ou tá precisando de um outro chacoalhão?



Sem mais por hoje, estou apenas pensando com meus botões =/
Eita cabecinha que não pára, preciso tirar férias da minha própria cabeça!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O estandarte do sanatório geral

Descobri que sim me assumo como a ave de rapina que sou, não dá pra disfarçar mais, sou sim uma ave de rapina no meio desse todo.
Em pensar que antes eu estava cega e vivendo como ovelha, eu estava caminhando para o rebanho das ovelhas, cegas, surdas e mudas.
É interessante notar como nos deixamos levar facilmente pelo outro.
Talvez deve ser o tal do amor, que envolvente como ele só, deixa nossos sentidos todos atrapalhados e assim somos levados pela correnteza de sentimentos confusos e embaralhados.
Mas não, não estou culpando o amor de nada, longe de mim, nada tem ele haver com o estado em qua me encontro atualmente. Ou tem?
Na verdade é a paixão. Estou apaixonada pela vida diria, pelas pessoas, pela loucura dos outros e pela minha própria insanidade louca.
Coisas mínimas que por mim antes passavam despercebidas hoje se mostram interessantes.
Tenho uma nova mania. A mania da loucura desvairada, a mania de querer parar e filosofar sobre tudo o que vejo e sinto. Não sei usar as palavras com a precisão e a concordância que elas merecem ter, só consigo usa-las assim, embaralhadas do jeitinho que elas vem a minha cabeça.
Isso é só a pequena ave de rapina trocando suas penas, por outras maiores, mais coloridas e firmes, para poder voar mais longe e pousar com segurança onde for preciso.


Que a moral judaica cristã caia por terra, aqui não terás vez dona culpa.
A era da loucura está instalada, e digo mais, seus adeptos e seguidores estão por ai firmes e fortes, não serão abatidos dessa vez.
O sistema e seu peitoral inflado, achando que tudo pode, tudo vê.
Mas o sistema tem falhas, nos infiltraremos em suas rachaduras.




Fecho com uma frase de Nietzsche que escutei esse fds no teatro:
"Eu me apaixonei pelo desejo e não pelo objeto desejado"



Como é bom estar de volta =]

sábado, 19 de abril de 2008

Começando do zero... again

Mudaram as estações
nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente

Se lembra quando a gente
chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
sem saber
que o pra sempre
sempre acaba

Mas nada vai conseguir mudar
o que ficou
Quando penso em alguém
só penso em você
E aí, então, estamos bem

Mesmo com tantos motivos
pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar,
agora tanto faz...
Estamos indo de volta pra casa





Foi uma difícil noite...
Espero que os dias que seguem, sejam mais amenos...
Dias iluminados pelos raios de sol...
Dias alegres...
Dias de chão firme para que eu possa pisar...
E me encontrar...


sexta-feira, 18 de abril de 2008

blog pessoal público

"É um página em branco para descarregar todas as frustrações e emoções de uma pessoa em crise",

"As pessoas tendem a achar que estão postando para um pequeno grupo de amigos ou que são anônimas"

"basta que um amigo poste um link para seu blog para expor você".


Essas frases eu acabei de ler em uma matéria não muito útil aqui na net, mas parei pra pensar nessas citações.
Sempre tive alguma coisa na net, já tive outros blogs, tenho meu flog e orkut. E sempre escrevi normalmente como se tivesse escrevendo em um diário pessoal, como se fosse um caderno que eu posso guardar na gaveta.
Sempre acho que as coisas que eu escrevo ninguém vai ler, me esqueço completamente que esses tipos de sites são públicos e qualquer pessoa do mundo todo pode acessar, copiar as informações, encaminhar para outras pessoas, e assim fazer girar.
É estranho achar que ter o blog é algo tão pessoal. O que é pessoal não é público, certo?
Mas o que é mais estranho ainda é que mesmo sabendo que qualquer um pode entrar aqui e ler sobre sua vida, ler as insanidades escritas, dês do texto mais poético até o mais escatológico, eu (e acho que muitas outras pessoas) não se sentem incomodadas, aliás, eu pelo menos me sinto muito à vontade e confortável em escrever as minhas besteiras aqui. Coitado de quem lê =P
Mas o blog, particularmente, serve mesmo como uma forma de terapia. Com quem mais eu falaria e contaria as coisas que eu escrevo aqui? É tudo tão.... particular... ??? particular público acho que seria a definição mais exata.
A minha loucura é tratada no blog e não na análise!! Bom, quer dizer, tratada eu não sei, acho que na verdade é estimulada mesmo.
Mas é bom pensar que alguém pode ler e se identificar com meus pensamentos, minhas insanidades, e ai podemos trocar figurinhas!! Olha aí que interessante hehe
Quem sabe até eu não ganhe fãs!! Não sendo psicóticos tá bom!! Haha



Pois é, textinho light só pra amenizar o post de ontem à noite que foi meio tenso =/
E afinal hoje é sexta!!! Não é dia pra ficar triste, pois tem um fds prolongado a nossa espera uhuuu XD




bjO meus caros mortais
*caso alguém leia né? já faço uma média!! haha
que tonta eu =P